Outubro Rosa: Saúde bucal durante tratamentos oncológicos
O Outubro Rosa é um período importante para reforçar a prevenção, o diagnóstico precoce e o cuidado com a saúde da mulher. No Brasil, por exemplo, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres: para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que ele represente cerca de 30% dos casos de câncer entre mulheres no país.
Mas a conscientização também precisa olhar para quem já recebeu o diagnóstico e está enfrentando a doença. Afinal, além da importância de identificar o câncer precocemente, é fundamental promover a qualidade de vida e o bem-estar das pacientes em todas as etapas do tratamento, considerando os diferentes cuidados que esse momento exige.
Nesse contexto, a saúde bucal também merece atenção. Isso porque quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos contra o câncer podem provocar alterações como boca seca, sensibilidade, alterações no paladar, feridas e maior predisposição a infecções.
Por isso, o acompanhamento odontológico pode fazer parte do cuidado multidisciplinar da paciente, sempre de acordo com as orientações da equipe responsável pelo tratamento.
Como o tratamento contra o câncer pode afetar a saúde bucal?
Os efeitos podem variar de acordo com o tipo de câncer, o tratamento realizado, as doses utilizadas e as características de cada paciente. Na quimioterapia, por exemplo, podem ocorrer alterações na mucosa da boca, redução de saliva, mudanças no paladar, sangramentos e infecções. Já a radioterapia pode estar associada a feridas na boca, boca seca ou saliva mais espessa, além de alterações do paladar e dificuldade para engolir.
Também vale reforçar que um estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Cancerologia avaliou 78 pacientes em tratamento quimioterápico e identificou hipossalivação em 59% dos participantes. No mesmo estudo, todos os pacientes relataram sensação de boca seca. Essas alterações podem interferir diretamente no conforto, na alimentação, na fala e na qualidade de vida.
Boca seca durante o tratamento oncológico
Como visto anteriormente, a xerostomia, conhecida como boca seca, é uma das alterações que mais podem aparecer durante o tratamento. Além do desconforto, essa redução da saliva ainda pode dificultar a mastigação e a deglutição, bem como aumentar a vulnerabilidade da boca a algumas infecções. Por isso, é importante comunicar à equipe de saúde qualquer mudança percebida durante o tratamento.
Nesse caso, mesmo que a hidratação tenha um papel importante, o acompanhamento da xerostomia deve ser individualizado e realizado por um dentista. Por isso, as diretrizes do Ministério da Saúde recomendam acompanhamento periódico e, quando há sinais de hipossalivação ou xerostomia, também podem ser considerados produtos umectantes e outras estratégias definidas pelos profissionais responsáveis pelo caso.
E quando a boca fica dolorida e sensível?
A mucosite oral é uma inflamação que pode provocar vermelhidão, dor e feridas na mucosa da boca. Dependendo da intensidade, também pode dificultar atividades simples, como comer, beber e até falar, além de aumentar o risco de desenvolver outras infecções.
Um estudo brasileiro publicado em 2026 pelo INCA avaliou pacientes submetidos à radioterapia para câncer de cabeça e pescoço e encontrou mucosite em 97,3% dos 146 pacientes analisados. Desses, 28,8% apresentaram mucosite de grau 3, reforçando a importância do acompanhamento multidisciplinar durante o tratamento.
Mas atenção: isso não significa que todas as pessoas em tratamento contra o câncer terão as mesmas alterações. Cada organismo responde de uma maneira, e o risco depende de diversos fatores relacionados à doença e ao tratamento.
Por que procurar o dentista antes do tratamento oncológico?
Sempre que possível, a avaliação odontológica deve fazer parte do planejamento do tratamento oncológico. O Ministério da Saúde recomenda que ela seja feita antes de tratamentos como quimioterapia, radioterapia na região de cabeça e pescoço e transplante de medula óssea, com o objetivo de identificar e tratar possíveis focos de infecção e planejar os cuidados de acordo com o tratamento que será realizado.
Essa avaliação permite que o dentista também identifique problemas como cáries, doenças gengivais, infecções e outras condições que possam exigir atenção antes do início de determinadas terapias. Entretanto, o momento mais adequado para realizar cada procedimento vai depender do tratamento oncológico e das condições clínicas da paciente. Por isso, qualquer procedimento odontológico deve ser planejado em conjunto com a equipe médica e odontológica.
E durante e depois do tratamento?
O cuidado com a saúde bucal continua durante e depois do tratamento oncológico. Durante o tratamento, o acompanhamento odontológico pode ajudar a identificar precocemente alterações na boca e orientar medidas para aliviar sintomas e preservar a saúde bucal.
Depois do tratamento, algumas alterações podem permanecer ou até mesmo surgir posteriormente. Em pacientes que passaram por radioterapia na região de cabeça e pescoço, por exemplo, podem ocorrer efeitos tardios como xerostomia e outras complicações. Por isso, manter as consultas odontológicas em dia é essencial para continuar cuidando da saúde mesmo após o encerramento da terapia.
Cuidados com a saúde bucal durante o tratamento oncológico
Em todos os casos, as orientações devem ser individualizadas, mas alguns cuidados gerais podem contribuir para a manutenção da saúde bucal, preservando o conforto:
- Mantenha o acompanhamento com o dentista
- Avise a equipe sobre feridas, sangramentos, dor, sensibilidade ou boca seca.
- Mantenha a higiene bucal conforme orientação profissional
- Cuide da hidratação, seguindo as recomendações da equipe que acompanha o tratamento.
- Evite utilizar medicamentos, enxaguantes ou produtos para a boca por conta própria, principalmente durante a quimioterapia ou radioterapia.
- Siga as orientações da equipe sobre alimentação, especialmente se houver dor ou dificuldade para mastigar e engolir.
- Não realize procedimentos odontológicos sem comunicar previamente a equipe responsável pelo tratamento oncológico.
Outubro Rosa também passa pela prevenção
O cuidado com a saúde da mulher não deve começar apenas quando aparece algum sintoma. Nesse sentido, o Outubro Rosa é um convite para olhar para a própria saúde com atenção, mantendo as consultas em dia, realizando os exames indicados para sua faixa etária e conversando com profissionais sempre que perceber alguma alteração.
Esse cuidado também precisa ser coletivo. Incentivar as mulheres próximas a cuidar da própria saúde e compartilhar informações confiáveis também são formas de cuidado.
Mantenha seus acompanhamentos em dia e, durante qualquer tratamento oncológico, converse com a equipe de saúde sobre a importância do cuidado odontológico integrado.
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